terça-feira, 24 de junho de 2008

Navegar é precioso, mas não é preciso

Achar que tudo o que ouvimos é verdadeiro é viver ingenuamente, com sérias conseqüências para a nossa vida profissional.

kanitz

Outro dia participei de uma profícua discussão sobre uma das grandes preocupações de pais e educadores desses tempos modernos: os jovens e a internet. Na roda, houve quem defendesse que a liberdade de navegar pelo ciberespaço é um bem intangível e qualquer tentativa de vigiar isso seria “um atentado à democracia e significava uma censura”.

A educação das crianças e jovens não deveria ser um assunto restrito as suas famílias; cada uma educa seus próprios filhos como quiser e pronto. Até porque, em nossa sociedade, há instituições como a escola, a igreja etc pelas quais todos passamos e que representam uma, vamos dizer, síntese do pensamento acerca de posturas e atitudes que toda pessoa deve ter a fim de manter nosso contrato social baseado na dicotomia: direitos e deveres. Por isso, a educação que cada brasileiro recebe - no recesso de seu lar - interessa à nação toda. É primeiramente em cada família que se educa ou não para a cidadania - autonomia social, solidariedade, respeito ao outro e às leis.
A questão é que nossa geração - estou falando de gente com 40 ou 50 anos - tem horror à censura. Mais aversão à palavra que ao exercício da repreensão. Na percepção dessa geração, CENSURA não é apenas um signo lingüístico para o exame crítico de uma obra ou de um comportamento; mas, uma repressão ou castigo. Assim, em nome da LIBERDADE de expressão, difundiu-se verdadeira ojeriza à palavra “censura”. Os educadores, principalmente, cunharam uma nova expressão “LIMITE” para ficarem politicamente corretos. E, até onde sei, majoritariamente, concordam que é preciso estabelecer limites. Não acredito que alguma criança irá ficar psicologicamente debilitada se for impedida de acessar aquele sítio da internet recheado de imagens pornográficas, ou aquele de relacionamentos nem sempre tão amistosos. Creio no contrário.
O mestre em Administração, Stephen Kanitz, tem usado a expressão “vigilância epistêmica” – preocupação que todos nós devíamos ter com relação a tudo o que lemos, ouvimos e aprendemos de outros seres humanos, para não sermos enganados. Significa não acreditar em tudo o que é escrito e é dito por aí, inclusive em salas de aula. - para alertar a todos sobre os perigos que rondam os navegadores desse mar de informação, contra-informação e desinformação que é a internet.
É claro que você pode estar pensando que educou suficientemente bem os seus filhos, que eles têm bons exemplos dentro de casa, que seguem uma doutrina religiosa e que, portanto, não irão cair em tentação, não sucumbirão... etc. Aproveite que o papa Bento XVI tem feito beatificações em massa - 498 mártires da Guerra Civil Espanhola – e peça também a deles.
Não estou declarando guerra à internet, apenas lembrando que nela habitam o trigo e o joio. Se o seu filho não é tão inocente como se pensa ou se ele é ainda uma criança inocente, em ambos os casos, ele corre perigo. E que vigiar seus passos, censurar alguns sítios e limitar tempo de navegação, agora, fazem parte do seu papel de bom educador.

Professor Zeluiz
Centro Interescolar de Agropecuária de Itaperuna

1 comentários:

Robson Freire disse...

Olá cursistas

Parabens Zé Luiz pelo seu texto.

Como você bem sabe a minha aversão a qualquer tipo de proibição é bem conhecida de todos.

Sei que nossos jovens estão bem expostos aos perigos que rondam a internet, mas acredito que estar sempre acompanhando e orientando não é preciso haver bloqueios.

Tomando como base minha esperiencia pessoal onde a educação de 3 filhos se baseou nos conceitos de discussão, negociação, respeito e liberdade.

Esses conceitos foram sempre execitados de forma democratica onde todos os perigos e desvantagens foram muito bem trabalhados.

Mas acho que deve sim haver uma discussão maior sobre o assunto onde todos (professores, alunos, escola, comunidade e governos) devam discutir para se chegar a um consenso.

Mais uma vez parabens pelo texto.